Tivesse eu mais um par de mãos. Um de pés também.
Talvez aí poderia dizer que contava pelos dedos as vezes que me desiludiste.
Mas não tenho essa forma estranha, nem tão pouco posso dizer que foram poucas.
E algumas foram ligeiras, e passaram. Mas outras não. E custaram engolir.
Não te quis escrever mais cedo sobre isto, porque não queria perturbar a tua paz. Essa paz que mostraste demasiadas vezes querer. E como julgaste que não o entendi, verbalizaste o teu desejo.
Estavas no teu direito. E no teu canto.
E ainda nos ultímos dias, expressaste esse desejo de algumas formas que não me agradaram mesmo nada.
Mas resolvi fazer de conta que não entendi.
Também te digo que não acredito na 'treta' de se for assim é mais fácil. Porque não o é. E acho que tu o sabes. Mesmo depois de tudo o que aconteceu, eu ofereci-te o meu carinho que acabou por ser desprezado. Não porque 'era para te habituares', mas por outra coisa qualquer.
Se tivesse o verão a acabar, não dirias que ías deixar de ir à praia para 'te habituares' ao Inverno que se avizinhasse.
Quando algo que gostamos, ou nos faz falta, está para acabar, agarramos-nos a isso e aproveitamos ao máximo. Mas lá está. É preciso, ou gostar, ou sentirmos falta. Caso contrário, podemos desperdiçar.
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Indo um pouco atrás no tempo...
Sabes que muitas vezes fiquei desiludido com o desenrolar das situações. De como priorizavas o teu tempo, como escolhias responder aos meus apelo ou das decisões que tomavas. Mas, além da decisão que tomaste (acho que sabes do que falo) houve outra atitude que me deixou... nem sei muito bem adjectivar. Mas deixou-me profundamente desgostoso.
Foi aquela vez em que, ao ver que eu chegava, resolveste evitar-me. Se isso não bastasse, nada disseste sobre o assunto. Tive que ser eu a falar sobre isso para me dares uma desculpa esfarrapada. 'É melhor assim. Depois é mais fácil'.
Se fosse porque estavas mais sensivel, pelo menos dizias, antes ou depois alguma coisa. Mas não o fizeste. Será que não tens abertura suficiente para falar comigo de tudo? Mesmo sobre o facto de achares melhor não estares perto de mim?
Acho que acabaste por gerar um ambiente estranho e desnecessário entre nós.
Sempre pensei que tinhas outra consideração por mim. Mas enganei-me. Redondamente.
Não quero 'bater mais no ceguinho'. Acho que já chega. Só quero dizer mais uma coisa.
Recentemente disseste que o mal é que nem puxavas nem empurravas.
Não concordo minímamente. Empurraste e bastante. Chegaste ao ponto em que me agarraste os braços e gritaste 'pára'.
Isto já vai longo e não te quero maçar mais com isto.
Só te peço que um dia te ponhas no meu lugar. E já te digo que por mais que tentes, não o vais conseguir fazer, mas pelo menos tenta.
Sei muito bem o que vai acontecer daqui para a frente. Só não to vou dizer. Mas acho que já te conheço bem para saber como vais reagir a tudo isto.
Não sei se vais ler isto ou não. Ou sequer se tens interesse em vir ao blog. Ou... enfim. Tens mais coisas com que te preocupares e tens agora motivos de alegria, não deves andar com pachorra com pequenos nadas de outras vidas. Mas seja como for, quis desabafar.
... e lá estou a divagar quando já tinha dito que isto já ía longo.
Enfim. Muito havia para dizer, mas nem sei se vale a pena ou se estás para aí virada.
Por isso fico por aqui mesmo.
E já sabes que não guardo qualquer magoa. Não sou disso. Por isso só te desejo o melhor.
Que continues a realizar todos os teus desejos.
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